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Blog do Projecto Partilha'te

Abr 7

Written by: ricardo
terça-feira, 7 de Abril de 2009 17:23 

Porque o prometido é devido, aquivão pequenos excertos das histórias já recebidas.
"“Ainda me lembro quando de repente tu, naquela noite em que tanto falámos, decidiste aventurar-te para vir ter comigo. Foi numa sexta-feira, igual a tantas outras, não fosse o que aconteceu depois marca-la para o resto da minha vida.
Era de noite. Não conhecias esta minha terra, mas mesmo assim não receaste. O combinado era na estação. À última da hora eu tinha inventado uma desculpa para poder ir ter contigo (nem acredito que tenha conseguido!) mas lá estava eu à tua espera (e como tu te atrasaste!) de súbito vi um carro chegar, com as descrições que tinhas dado. Lentamente movi-me (tive medo) e arranjei maneira de ver a tua matrícula (BF de “boyfriend” disseste tu. Seria um presságio? Lol)."
"Deixou de poder frequentar a Escola de Dança e voltou com muito desagrado p’ra nossa cidade.
A “aterragem forçada” correu bastante mal. Depois de um ano de liberdade completa e de se ter sentido aceite e integrado, voltou à mentalidade pequena, conservadora e castradora."
"Depois quis ter uma família. Casei com o rapaz que gostava de crianças, como eu e queria uma casa, alguns filhos, um lar. Tentámos ser felizes, tivemos duas lindas crianças e o casamento foi morrendo, de morte natural. Sem grandes animosidades, apenas porque o tempo não pára nem perdoa e a amizade não foi suficientemente forte para nos prender. Ao fim de dez anos a agir sem reflectir muito, senti-me livre e com vontade de recomeçar. Percebi que o gosto por “olhar para as mulheres” não tinha passado com a idade, antes se mantinha intacto e começava finalmente a fazer sentido.
Foi ao mesmo tempo épico e doloroso."
"Desculpa Pedro, não és tu, sou eu. Simplesmente não gosto de ti assim. Não, claro que não sou lésbica, simplesmente gosto de outra pessoa. Não interessa quem, não te vou dizer porque não interessa. Não, não é a Zélia nem a Daniela, 'tás parvo? Okay, é o Zé, tás feliz?
Ai, porque é que lhe menti? "
"Onde se vê ao longe o teu corpo magro,
Os ossos nus da face e cavos na pele. 
Vejo também a tua altura que estreita
Os prédios da cidade, a génese de teu mel
Onde a loucura enterra o deus
E abraça os que não dizem adeus."
Obrigado

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Re: Levantar um bocadinho o véu

Projecto muito interessante. Parabéns pela idéia! Claro que os percursos são muito individuais, mas há solidões que, quando partilhadas, se podem transformar em mútua fecundação... Bonitos e grandiosos jardins começam sempre com pequeninas sementes... Estou a ponderar em partilhar a minha história, também. Deixo um abraço ao autor, e ao projecto!

É preciso, é urgente dar cara para que gays e lésbicas da próxima geração possam usufruir da normalidade no trato quotidiano e evitar sofrimentos penosos e desnecessários.

By Alexandre Inácio on   domingo, 12 de Abril de 2009 15:52

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